Follow your dreams

Na semana passada cruzei-me com um texto que dizia que a expressão “seguir o seu sonho” só apareceu nos últimos 20 anos – segundo um artigo da Harvard Business Review – e fiquei a pensar nisso.

20 anos não é muito tempo…! Hoje em dia, qualquer criança que nasça, vai ser induzida a seguir o seu sonho, desde cedo. Somos bombardeados com estímulos que nos obrigam a ter um sonho e a segui-lo! O que obriga a termos bem identificado qual é o nosso sonho! E esta parte é a que mais me choca – porque nem toda a gente sabe qual é o seu sonho. Alias, arrisco a dizer que nem toda a gente tem “um sonho”. Eu própria não sei qual é o meu sonho – e não nos chega o “ser feliz”, porque isso, toda a gente quer. É a natureza humana, acho eu.

Não é por acaso que a minha geração (nascida nos anos 90) é recorrentemente classificada como ansiosa crónica e eu identifico-me com isto. Não acontece só comigo mas noto no meu circulo de amigos e nos milhares de estudantes com quem me tenho cruzado – em âmbito profissional. Nestas fases inicias da vida adulta – a passagem para o mercado de trabalho e os primeiros anos de vida profissional – são estonteantes hoje em dia. Porque temos de fazer mais e temos de fazer diferente e temos de fazer SÓ o que gostamos e… no fundo, sabemos lá o que queremos! Sabemos lá do que gostamos!

Porque, mais do que a mudança de mentalidade, o que mudou realmente foi a possibilidade que existe hoje de atingirmos (quase) qualquer sonho – conseguimos facilmente estar noutra parte do mundo ou falar com qualquer pessoa, ou whatever! Então, os sonhos, passaram a ser objetivos – logo é possível “segui-los”.

Segundo Vitor Ferreira (sociólogo do ICS), A “venda” do sonho “nos anúncios de tv, nas redes sociais, em todas as campanhas publicitárias nos jornais e pela rua” como algo que “tem que ser conseguido” é uma coisa que “acentua a exclusão social”. Eu não iria tanto para a “exclusão social” mas sobretudo para a sensação de frustração que nos causa.

Porque, enquanto não os atingirmos – sejam lá eles quais sejam – vamos sentir a frustração ou de não ter conseguido ou de nem saber o que queríamos ter conseguido!

Tenho ouvido pessoas que vão viajar para algum sitio específico do mundo e têm “um feeling” de que vão descobrir uma resposta nesse sítio – ou que vão descobrir “a cena” deles. Depois voltam… Tristes porque não aconteceu nada. Porquê esta busca desmesurada pelo sonho?… Porque não conseguimos viver com mais serenidade?

A possibilidade de conquistar qualquer coisa no mundo leva-nos a acreditar que tudo depende SÓ de nós e do nosso esforço. Quantos de nós ouvimos de pais ou professores “com esforço, tudo se faz” ou “se te empenhares consegues fazer qualquer coisa!”.E não é bem assim. Há milhares de fatores que influenciam o nosso rumo – o timing, a sorte, as pessoas com quem nos cruzamos, etc.

Eu, enquanto não sei qual é o SO WHATmeu sonho, prefiro ir vivendo, esforçando-me no meu dia a dia e a acreditar que o que for para acontecer, acontecerá. As oportunidades vão surgindo e eu decido se as agarro ou deixo passar – estou mais numa de “follow your heart” 🙂 Tenho adotado essa filosofia porque, claro, também sinto a pressão de não saber o que quero mesmo fazer na minha vida! E tenho de ir lidando com isso.

Na minha vida pessoal já atingi o meu sonho: ter a minha família. Agora falta-me o profissional – Mas é ilegítimo se me deixar ir indo?…

 

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