“Trabalhe como se não tivesse filhos. Crie os seus filhos como se não trabalhasse.”

A frase não é minha. Tem sido usada várias vezes para descrever a utopia que é pedida hoje às mães que trabalham.

Não venho com discursos feministas nem do “coitadinha” de quem é mãe. Porque, por um lado, não faço ideia nem tento adivinhar o que sentem os homens relativamente a isto. Por outro, porque apesar dos desafios, sou uma sortuda por já ser mãe!

Mas a verdade é que, quando ficamos à espera do 1º filho não temos consciência nenhuma da mudança gigante que nos espera nas nossas vidas. Toda a gente nos avisa e nós até interiorizamos que vai ser assim mas numa proporção ridiculamente insuficiente face à realidade que vamos enfrentar.

Hoje em dia, com o que nos é exigido no trabalho (e não digo pelo empregador, digo por nós próprias) torna-se difícil sentirmo-nos boas mães e vice-versa. Não é que não o sejamos. É sentirmos que estamos a fazer as escolhas certas quando, por ex, chegamos a casa tarde, damos de jantar ao nosso filho e só queremos que ele adormeça para poder descansar ou, em alturas mais críticas, voltar a ligar o pc. É estar envolvida num dia de trabalho e receber um vídeo do nosso filho a ser criado por outra pessoa: a aprender novas palavras e novas gracinhas. E a nossa vontade é ir a correr para casa mas ao mesmo tempo estamos mesmo entusiasmadas com o nosso projeto!

São os constantes processos psicológicos por que passamos para nos convencermos do que está certo – ora decido “que se lixe!” e vou para casa cedo e estou só dedicada à família; ora penso “ela está bem entregue” e trabalho até mais tarde porque vai fazer toda a diferença.

Vivi nesta guerra interior (“drama!” não morri por isso, mas é um facto) até ficar outra vez à espera de bebé. Às 10 semanas de gravidez fui obrigada a ir para casa e ficar de repouso absoluto (pelo menos até agora, que estou com 15 semanas). E não vou falar do repouso absoluto porque não tenho nenhuma coisa boa a dizer sobre isso. Mas quero testemunhar que TODA a gente, inclusive de trabalho (seja equipa ou chefes) me diz “o que importa é o bebé. agora tens de te dedicar ao bebé. nem penses no resto.”.

Será que nalguma circunstância, em que teria de escolher entre o trabalho e os filhos, teria toda a gente e apoiar-me a decidir pelo trabalho?… Até podia ter alguma amiga, colegas, pais ou até o meu marido a apoiar-me a investir mais no trabalho nalguma fase da vida, mas este uníssono? Nunca teria.

Como gosto verdadeiramente de trabalhar e dificilmente me sentiria feliz a ser mãe a tempo inteiro, sei que, quando voltar ao trabalho, vou continuar a ter estas duvidas e a sentir imensa vontade de me dedicar aos projetos e (de Deus quiser) vou continuar a ter a minha ambição que considero saudável e um bom motor para a minha realização.

Portanto, apesar de saber que acima de tudo, está a família, sei que não vou interiorizar esta certeza tranquilamente em todas as pequenas decisões da minha vida. Portanto, alguém me explica como se faz isto:

Trabalhe como se não tivesse filhos. Crie seus filhos como se não trabalhasse.

???

Nota: A imagem que escolhi para ilustrar este post é do nascimento da Matilde, a filha de uma das minhas melhores amigas. Escolhi este momento porque lembro-me perfeitamente do que estava a sentir quando me tiraram esta fotografia. Tinha passado um sábado a trabalhar num evento e, mal pude, fui a correr visitar a Sofia e a Matilde ao hospital porque a Matilde tinha nascido nesse dia. Quando peguei na Matilde lembrei-me do que senti quando nasceu a Luisinha. E a alegria gigante que é olhar para o nosso filho nas primeiras horas e começar a conhece-lo. Nunca senti nada parecido no trabalho 🙂

 

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Ir para fora em trabalho

Mais uma vez estou a ir a Lisboa em trabalho. Quando vou, normalmente, fico de um dia para o outro. Custa-me, claro, ficar sem a Luisinha e sem o Tó e ter de fazer as viagens (sobretudo quando vou de comboio…!).

Mas tenho de admitir que há um fator maravilhoso que compensa tudo: dormir uma noite seguida! Can’t wait 🙂

O que recrutamos? Futuro vs. Passado

Li um artigo no Linkedin esta semana que aconselho todos os meus colegas de profissão a ler com atenção.

“Contratar olhando para o passado ou para o futuro?”,

escrito pelo Head of Talent Management da Monsanto Company – América do Sul.

Porque é que nós – os recrutadores – avaliamos as pessoas olhando para o que é que elas já fizeram no passado e exploramos tão pouco o que é que elas querem ser no futuro?

Quanto tempo de uma entrevista dedicamos a falar sobre a experiência adquirida e os sonhos do candidato, as suas expectativas? A proporção é assustadora. Obviamente que o passado nos dá pistas sobre aquela pessoa e nos conta o que é que ela já aprendeu, daquilo que foi capaz e as escolhas que foi fazendo ao longo do caminho. Não podemos ignorar. Mas o que temos de encontrar no candidato é o talento, o drive, o que o motiva, o que o faz querer ser melhor!

A minha atuação é no segmento jovem – estudantes ou recém-graduados que muito pouco (mas cada vez mais) têm para contar sobre a sua experiência profissional – e ainda assim, dedico bastante tempo a querer saber o que fizeram, como fizeram, o que já aprenderam.

Por outro lado, quando estou em feiras de emprego ou em eventos de networking em universidades, fico sempre com a sensação de que conheci melhor aqueles estudantes. Que percebi melhor quem eram do que no âmbito de uma entrevista formal, em que a pessoa se prepara, treina o discurso, tenta antecipar as perguntas que lhe irão ser feitas. O autor fala precisamente disto: diz que só conseguimos descobrir o talento da pessoa “quando a entrevista formal se transforma em uma conversa genuína entre duas pessoas“.

Eu concordo em absoluto e tenho tentado, cada vez mais, fazer um estilo de entrevista descontraído, em tom de conversa, com momentos de humor e de partilha de experiências – e acredito mesmo que este é o caminho!

Parabéns André Souza, pela reflexão!

Working Mom

Depois de ter estado em pause 6 meses na minha vida profissional para me dedicar ao emprego mais difícil que já tive – ser mãe – voltei ao trabalho!

Estava ansiosa por voltar! Estive 6 meses “parada” e cheguei à conclusão de que, se um dia tiver outro filho, vou-me decidir pela licença mais curta porque tanto tempo sem trabalhar não dá para mim!

Estava ansiosa por voltar ao escritório, saber como andavam as coisas, que projetos tínhamos a acontecer, que novos desafios íamos ter… E nos últimos 15 dias de licença já passava a vida a cuscar o e-mail para me ir preparando.

Estava um bocado apreensiva com o meu regresso, sobretudo com as dinâmicas de deixar o bebé entregue a outros e tinha medo que ela sentisse a minha falta! Além disso, ouvi imensa gente a dizer que sofreu imenso nos primeiros dias por se separar do bebe e, por isso, estava na expectativa do que ia sentir. Mas não! Senti-me mesmo bem, com imensa vontade e tranquila relativamente à Luisinha. Está bem entregue! Lembro-me dela ao longo do dia e ligo à hora de almoço para saber como está.

Se me sinto culpada por não me sentir mal? Não. Trabalho porque preciso mas também porque gosto. Não tenho vocação para ficar em casa nem para ser mãe a tempo inteiro e nem por isso serei uma pior mãe, nem melhor. Vou ser (já sou) a mãe dela!

No final do dia, recuperamos o tempo perdido!

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É TEMPO DE PARAR

Chegou a hora: vim para casa esperar pelo meu bebé.

Esperava vir só a meados de Março mas o corpo mandou-me parar de trabalhar e eu tive de obedecer. Há pouco mais de uma semana, a médica de família disse as palavras assustadoras: “já não vai mais trabalhar” e eu fui para casa em estado de choque. Acho que só agora, passado uma semana, me conformei com a ideia.

Na altura fiquei meia perdida, com tantos temas para passar no trabalho, super entusiasmada com os projetos em que estava envolvida e com imensos planos para ainda deixar feitos antes de vir ter o bebé. E de repente – pára tudo! Não era uma coisa que não estivesse de todo à espera… Claro que grávida de 34 semanas já está a contar com esta surpresa a qualquer momento mas ainda assim, caiu-me como uma bomba.

Na semana passada ainda estive meia a trabalhar, a preparar tudo para passar o trabalho mas sempre a sentir-me bastante deprimida por ter de deixar os temas e ao mesmo tempo muito cansada.

Este fim de semana tive a despedida de solteira da minha amiga Sofia e parece que desliguei completamente! Diverti-me imenso e nem pensei no assunto.

Agora tenho de arranjar com o que me entreter. Vou ter um curso de preparação para a maternidade, preparar as roupas para o bebé e aproveitar para organizar as coisas em casa… Vamos ver como me safo neste papel de dona de casa…

Hoje fui ao médico e está tudo perfeito! Agora… é só esperar mais 5 semanas (me-do)!

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ARE YOU AN HIGHLY EFFECTIVE PERSON?

A minha amiga Sofia partilhou hoje este vídeo no nosso grupo de Facebook:

São os 7 hábitos de pessoas altamente eficazes/eficientes (by Stephen Covey).

Aconselho a ver o vídeo completo mas, resumindo, os 7 hábitos são:

  1. Be Proactive
  2. Begin with the end in mind
  3. Put first things first
  4. Think win-win
  5. Seek first to understand, then to be understood
  6. Synergize
  7. Sharpen the saw

Identifico-me mais com alguns dos tópicos do que com outros, mas fiquei a pensar especialmente no 4. Think win-win; especialmente na frase:

“For you to win, another person does not have to lose

A minha geração está a ser formatada para ser o mais competitiva possível, a acreditar que deve dar o melhor de si e destacar-se PORQUE não há lugares para todos (e não pela visão romântica de nos elevarmos ao nosso potencial máximo).

Estamos habituados e confortáveis a viver neste ambiente em que formalizamos tudo por mail e com conhecimento dos chefes dos outros e guardamos informação para usar em reunião para o caso de nos termos de defender. Isto com a maior naturalidade do mundo, perdendo-se o valor da palavra, a crença na bondade e boa vontade do outro e a confiança.

Noto isto e tenho consciência de que a minha realidade é uma pequena amostra do que existe e de que esta forma de trabalhar é simplesmente a forma “normal” e que não estamos conscientemente mal intencionados ao fazê-lo. Mas se pararmos um pouco para pensar, a verdade é que andamos todos a olhar para o nosso próprio umbigo e que se nos pudermos destacar das outras equipas ou de outros colegas, vamos agarrar a oportunidade sem hesitar. E mais! Os nossos adversários colegas vão compreender perfeitamente porque “há-que fazer pela vida”.

A frase que destaquei é forte e, na minha reflexão, pensei em muitas situações em que ninguém “perde” efetivamente mas que, de alguma forma, demonstram que trabalhamos na defensiva, sempre preparados para atacar se for para sairmos por cima ou provar que a culpa não foi nossa.

Já pensaram nisto? É assustador. E o pior é perceber que não o fazemos conscientemente, não sentimos que estamos a trabalhar assim, e que isto é simplesmente o sistema normal de trabalho. É “o natural”.

Se dá para mudar? Não, porque a verdade é que não há realmente lugar para todos e não vamos ser nós os lorpas 🙂