Ir para fora em trabalho

Mais uma vez estou a ir a Lisboa em trabalho. Quando vou, normalmente, fico de um dia para o outro. Custa-me, claro, ficar sem a Luisinha e sem o Tó e ter de fazer as viagens (sobretudo quando vou de comboio…!).

Mas tenho de admitir que há um fator maravilhoso que compensa tudo: dormir uma noite seguida! Can’t wait 🙂

Follow your dreams

Na semana passada cruzei-me com um texto que dizia que a expressão “seguir o seu sonho” só apareceu nos últimos 20 anos – segundo um artigo da Harvard Business Review – e fiquei a pensar nisso.

20 anos não é muito tempo…! Hoje em dia, qualquer criança que nasça, vai ser induzida a seguir o seu sonho, desde cedo. Somos bombardeados com estímulos que nos obrigam a ter um sonho e a segui-lo! O que obriga a termos bem identificado qual é o nosso sonho! E esta parte é a que mais me choca – porque nem toda a gente sabe qual é o seu sonho. Alias, arrisco a dizer que nem toda a gente tem “um sonho”. Eu própria não sei qual é o meu sonho – e não nos chega o “ser feliz”, porque isso, toda a gente quer. É a natureza humana, acho eu.

Não é por acaso que a minha geração (nascida nos anos 90) é recorrentemente classificada como ansiosa crónica e eu identifico-me com isto. Não acontece só comigo mas noto no meu circulo de amigos e nos milhares de estudantes com quem me tenho cruzado – em âmbito profissional. Nestas fases inicias da vida adulta – a passagem para o mercado de trabalho e os primeiros anos de vida profissional – são estonteantes hoje em dia. Porque temos de fazer mais e temos de fazer diferente e temos de fazer SÓ o que gostamos e… no fundo, sabemos lá o que queremos! Sabemos lá do que gostamos!

Porque, mais do que a mudança de mentalidade, o que mudou realmente foi a possibilidade que existe hoje de atingirmos (quase) qualquer sonho – conseguimos facilmente estar noutra parte do mundo ou falar com qualquer pessoa, ou whatever! Então, os sonhos, passaram a ser objetivos – logo é possível “segui-los”.

Segundo Vitor Ferreira (sociólogo do ICS), A “venda” do sonho “nos anúncios de tv, nas redes sociais, em todas as campanhas publicitárias nos jornais e pela rua” como algo que “tem que ser conseguido” é uma coisa que “acentua a exclusão social”. Eu não iria tanto para a “exclusão social” mas sobretudo para a sensação de frustração que nos causa.

Porque, enquanto não os atingirmos – sejam lá eles quais sejam – vamos sentir a frustração ou de não ter conseguido ou de nem saber o que queríamos ter conseguido!

Tenho ouvido pessoas que vão viajar para algum sitio específico do mundo e têm “um feeling” de que vão descobrir uma resposta nesse sítio – ou que vão descobrir “a cena” deles. Depois voltam… Tristes porque não aconteceu nada. Porquê esta busca desmesurada pelo sonho?… Porque não conseguimos viver com mais serenidade?

A possibilidade de conquistar qualquer coisa no mundo leva-nos a acreditar que tudo depende SÓ de nós e do nosso esforço. Quantos de nós ouvimos de pais ou professores “com esforço, tudo se faz” ou “se te empenhares consegues fazer qualquer coisa!”.E não é bem assim. Há milhares de fatores que influenciam o nosso rumo – o timing, a sorte, as pessoas com quem nos cruzamos, etc.

Eu, enquanto não sei qual é o SO WHATmeu sonho, prefiro ir vivendo, esforçando-me no meu dia a dia e a acreditar que o que for para acontecer, acontecerá. As oportunidades vão surgindo e eu decido se as agarro ou deixo passar – estou mais numa de “follow your heart” 🙂 Tenho adotado essa filosofia porque, claro, também sinto a pressão de não saber o que quero mesmo fazer na minha vida! E tenho de ir lidando com isso.

Na minha vida pessoal já atingi o meu sonho: ter a minha família. Agora falta-me o profissional – Mas é ilegítimo se me deixar ir indo?…

 

Working Mom – o que é?

O que é uma mãe? A mãe é a responsável máxima pelos filhos. A mãe tem de controlar o que eles comem e bebem, se têm frio ou calor, o que vão vestir – e consequentes dinâmicas de tratar das roupas, os médios/remédios/vacinas/vitaminas, se há fraldas e toalhitas, se o bebe tem o rabo assado, se tem creme hidratante, se está “com os dentes” e é preciso ter o gel dos dentes, por fazer companhia e desenvolver os filhos, por dar mimo e educar, por tudo a que um filho diz respeito. O pai tem o mesmo papel, embora se descartem habitualmente da logística e gestão de “economato”.

Independentemente do estilo de pai (o Tó ajuda cada vez mais e é crucial), a mãe, sem ninguém lhe dizer ou cobrar, sente que é ela a responsável e que tem de controlar tudo e, se não o fizer, é bombardeada de sentimentos de culpa.

Ok, a função que descrevi acima dá para um full-time de 120h semanais.

Então, e o que é ser uma working mom? O meu full-time é na empresa onde trabalho – não só as 40h previstas mas todas as horas que forem necessárias, o que me obriga a entregar a minha filha a outros – no meu caso, vai variando entre pais e sogros. Portanto, entre tios e avós, eu devo ser a pessoa que MENOS tempo passa com a Babylu – e ainda assim, ela ocupa todo o tempo que me resta para além do trabalho!

Eu basicamente não controlo nada – nem o que come e bebe, nem se tem frio ou calor, nem quanto dorme ou horas a que acorda, nem se fez coco ou não, nem se precisa de mimo ou que lhe ralhem – até nem preciso de me preocupar muito com fraldas e toalhitas porque a maioria das trocas de fraldas, ela faz noutros sítios que não em minha casa, comigo.

Ainda não aprendi a lidar bem com este sentimento. Quem é realmente “mãe da minha filha”? Quem é que ela sente como o seu porto seguro? Eu, que estou com ela 3h por dia e às vezes estou só num facetime (quando estou fora), ou aqueles que passam todo o dia com ela? Mas destes últimos, qual é a referência dela? Passa metade do tempo com uma avó, bisavó e empregada de um lado e a outra metade com a avó, bisavós, tias e empregada do outro…? Quem é que ela sente como mãe?

Este é um assunto que ainda não tenho resolvido desde que comecei a trabalhar (já la vão 8 meses) e não vejo como resolver.

Será que todas as mães sentem isto? Como é suposto fazermos?

O que recrutamos? Futuro vs. Passado

Li um artigo no Linkedin esta semana que aconselho todos os meus colegas de profissão a ler com atenção.

“Contratar olhando para o passado ou para o futuro?”,

escrito pelo Head of Talent Management da Monsanto Company – América do Sul.

Porque é que nós – os recrutadores – avaliamos as pessoas olhando para o que é que elas já fizeram no passado e exploramos tão pouco o que é que elas querem ser no futuro?

Quanto tempo de uma entrevista dedicamos a falar sobre a experiência adquirida e os sonhos do candidato, as suas expectativas? A proporção é assustadora. Obviamente que o passado nos dá pistas sobre aquela pessoa e nos conta o que é que ela já aprendeu, daquilo que foi capaz e as escolhas que foi fazendo ao longo do caminho. Não podemos ignorar. Mas o que temos de encontrar no candidato é o talento, o drive, o que o motiva, o que o faz querer ser melhor!

A minha atuação é no segmento jovem – estudantes ou recém-graduados que muito pouco (mas cada vez mais) têm para contar sobre a sua experiência profissional – e ainda assim, dedico bastante tempo a querer saber o que fizeram, como fizeram, o que já aprenderam.

Por outro lado, quando estou em feiras de emprego ou em eventos de networking em universidades, fico sempre com a sensação de que conheci melhor aqueles estudantes. Que percebi melhor quem eram do que no âmbito de uma entrevista formal, em que a pessoa se prepara, treina o discurso, tenta antecipar as perguntas que lhe irão ser feitas. O autor fala precisamente disto: diz que só conseguimos descobrir o talento da pessoa “quando a entrevista formal se transforma em uma conversa genuína entre duas pessoas“.

Eu concordo em absoluto e tenho tentado, cada vez mais, fazer um estilo de entrevista descontraído, em tom de conversa, com momentos de humor e de partilha de experiências – e acredito mesmo que este é o caminho!

Parabéns André Souza, pela reflexão!

A indefinição do feriado

Os feriados são dias estranhos. A menos que se aproveite o feriado para juntar ao fim-de-semana e se faça mesmo férias, o feriado é um dia de semana disfarçado de domingo em que eu não consigo interiorizar aquele sentimento de ronha a 100% mas ao mesmo tempo, sei que nunca será um dia produtivo por isso vivo-o numa indefinição que me traz algum stress.

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Today’s Outfit

Por um lado, estou com imenso trabalho e, por isso, este dia útil faz-me falta para conseguir cumprir todas as tarefas a que me propus esta semana; Por outro lado, não consigo adiantar coisas que tenho por fazer porque um feriado não é um sábado, é um domingo e toca a todos. Por isso, está tudo fechado! Precisávamos de ir à lavandaria, ao sapateiro, ao banco, escolher tecidos para as cortinas – coisas que não dá jeito fazer à semana – mas não dá para adiantar na mesma!

Portanto, vivo o feriado a tentar relaxar, mas ao mesmo tempo com um stress latente de quem quer produzir e não consegue.

Ah e um factor crucial: como é feriado, tenho a minha filha para tomar conta 🙂 Estivemos no mimo, fomos dar um passeio até Serralves… Mas depois tive de vir para casa tratar de coisas que conseguia em casa para não sentir que foi um dia desperdiçado!

 

 

Working Mom

Depois de ter estado em pause 6 meses na minha vida profissional para me dedicar ao emprego mais difícil que já tive – ser mãe – voltei ao trabalho!

Estava ansiosa por voltar! Estive 6 meses “parada” e cheguei à conclusão de que, se um dia tiver outro filho, vou-me decidir pela licença mais curta porque tanto tempo sem trabalhar não dá para mim!

Estava ansiosa por voltar ao escritório, saber como andavam as coisas, que projetos tínhamos a acontecer, que novos desafios íamos ter… E nos últimos 15 dias de licença já passava a vida a cuscar o e-mail para me ir preparando.

Estava um bocado apreensiva com o meu regresso, sobretudo com as dinâmicas de deixar o bebé entregue a outros e tinha medo que ela sentisse a minha falta! Além disso, ouvi imensa gente a dizer que sofreu imenso nos primeiros dias por se separar do bebe e, por isso, estava na expectativa do que ia sentir. Mas não! Senti-me mesmo bem, com imensa vontade e tranquila relativamente à Luisinha. Está bem entregue! Lembro-me dela ao longo do dia e ligo à hora de almoço para saber como está.

Se me sinto culpada por não me sentir mal? Não. Trabalho porque preciso mas também porque gosto. Não tenho vocação para ficar em casa nem para ser mãe a tempo inteiro e nem por isso serei uma pior mãe, nem melhor. Vou ser (já sou) a mãe dela!

No final do dia, recuperamos o tempo perdido!

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ARE YOU AN HIGHLY EFFECTIVE PERSON?

A minha amiga Sofia partilhou hoje este vídeo no nosso grupo de Facebook:

São os 7 hábitos de pessoas altamente eficazes/eficientes (by Stephen Covey).

Aconselho a ver o vídeo completo mas, resumindo, os 7 hábitos são:

  1. Be Proactive
  2. Begin with the end in mind
  3. Put first things first
  4. Think win-win
  5. Seek first to understand, then to be understood
  6. Synergize
  7. Sharpen the saw

Identifico-me mais com alguns dos tópicos do que com outros, mas fiquei a pensar especialmente no 4. Think win-win; especialmente na frase:

“For you to win, another person does not have to lose

A minha geração está a ser formatada para ser o mais competitiva possível, a acreditar que deve dar o melhor de si e destacar-se PORQUE não há lugares para todos (e não pela visão romântica de nos elevarmos ao nosso potencial máximo).

Estamos habituados e confortáveis a viver neste ambiente em que formalizamos tudo por mail e com conhecimento dos chefes dos outros e guardamos informação para usar em reunião para o caso de nos termos de defender. Isto com a maior naturalidade do mundo, perdendo-se o valor da palavra, a crença na bondade e boa vontade do outro e a confiança.

Noto isto e tenho consciência de que a minha realidade é uma pequena amostra do que existe e de que esta forma de trabalhar é simplesmente a forma “normal” e que não estamos conscientemente mal intencionados ao fazê-lo. Mas se pararmos um pouco para pensar, a verdade é que andamos todos a olhar para o nosso próprio umbigo e que se nos pudermos destacar das outras equipas ou de outros colegas, vamos agarrar a oportunidade sem hesitar. E mais! Os nossos adversários colegas vão compreender perfeitamente porque “há-que fazer pela vida”.

A frase que destaquei é forte e, na minha reflexão, pensei em muitas situações em que ninguém “perde” efetivamente mas que, de alguma forma, demonstram que trabalhamos na defensiva, sempre preparados para atacar se for para sairmos por cima ou provar que a culpa não foi nossa.

Já pensaram nisto? É assustador. E o pior é perceber que não o fazemos conscientemente, não sentimos que estamos a trabalhar assim, e que isto é simplesmente o sistema normal de trabalho. É “o natural”.

Se dá para mudar? Não, porque a verdade é que não há realmente lugar para todos e não vamos ser nós os lorpas 🙂